Quase toda conta de anúncio que eu recebo de empresa de Alphaville tem o mesmo desenho: um alfinete no endereço da loja ou do escritório e um raio de dez, quinze, às vezes vinte quilômetros. Parece prudente. Na prática, é a forma mais rápida de entregar a maior parte das impressões fora do público que a empresa quer.
O motivo é geográfico e econômico ao mesmo tempo. Vou mostrar com os números do IBGE e depois com os ajustes que fazemos no Google Ads e no Meta.
O que um raio largo em volta de Alphaville alcança
Alphaville se espalha entre Barueri e Santana de Parnaíba, que somam 470.578 moradores no Censo 2022. Um raio largo a partir do centro comercial atravessa esses limites e entra nos municípios vizinhos. O teste leva um minuto: abra a ferramenta de raio do Google Ads, ponha o endereço da empresa e veja o círculo no mapa.
Só Carapicuíba, vizinha de Barueri, tem 386.984 moradores, quase o mesmo que as duas cidades de Alphaville juntas. E o perfil econômico é outro: o PIB por habitante de Barueri foi de R$ 226,4 mil em 2023; o de Carapicuíba, de R$ 21,8 mil. A plataforma não sabe quanto custa o seu serviço. Ela busca o resultado que você pediu pelo menor custo que encontrar, esteja onde estiver.
| Município | População (Censo 2022) | PIB 2023 | PIB por habitante |
|---|---|---|---|
| Barueri | 316.473 | R$ 71,6 bilhões | R$ 226,4 mil |
| Osasco | 728.615 | R$ 119,4 bilhões | R$ 163,9 mil |
| Santana de Parnaíba | 154.105 | R$ 14,3 bilhões | R$ 93,0 mil |
| Cotia | 274.413 | R$ 19,1 bilhões | R$ 69,5 mil |
| Itapevi | 232.297 | R$ 15,6 bilhões | R$ 67,2 mil |
| Jandira | 118.045 | R$ 5,5 bilhões | R$ 47,0 mil |
| Carapicuíba | 386.984 | R$ 8,4 bilhões | R$ 21,8 mil |
Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022 (tabela 4709) e PIB dos Municípios 2023 (tabela 5938). PIB por habitante = PIB de 2023 dividido pela população do Censo 2022; para Barueri o resultado coincide com o publicado pelo IBGE.
PIB por habitante não é renda de família. Em Barueri e Osasco ele é puxado pelas sedes de grandes empresas, e dentro de cada cidade há bairros muito diferentes. A tabela não serve para ranquear cidades, e sim para lembrar que, a poucos quilômetros de distância, o público muda completamente. Por isso o recorte por cidade e por bairro vale mais que o raio.
No Google Ads: escolha a opção Presença
A configuração que mais desperdiça verba em negócio local não aparece na tela principal da campanha. Ela fica nas opções de local. A Central de Ajuda do Google Ads descreve duas opções. Na "Presença ou interesse", "você alcança pessoas que estão nas suas regiões de segmentação e também quem demonstrou interesse nessas áreas". Na "Presença", o anúncio vai só para quem está fisicamente, ou costuma estar, nos locais escolhidos (Google Ads, Central de Ajuda, consultada em outubro de 2026).
Para um serviço que o cliente precisa usar em Alphaville, como clínica, escola, academia ou loja, a opção "Presença" quase sempre é a certa. Quem mora em outro estado e pesquisou "restaurante em Alphaville" uma vez não é o seu cliente desta semana. Vale registrar que a mesma página do Google cita um caso de educação em que "Presença ou interesse" trouxe mais conversões; por isso, teste as duas antes de cravar.
Três outros ajustes no Google fazem diferença:
- Raio pequeno e repetido. O Google exige um raio de pelo menos 1 km, segundo a mesma página da Central de Ajuda. Em vez de um círculo grande, use vários pequenos sobre os residenciais e os centros comerciais que você atende.
- Exclusão de local. Para áreas grandes com exceções, a Central de Ajuda do Google recomenda segmentar o todo e excluir o resto. Excluir bairros e cidades que você não atende é tão importante quanto escolher os que atende.
- Palavra com o lugar. Termos como "dermatologista Alphaville" ou "escola bilíngue Tamboré" já trazem o filtro de local na própria busca: quem digita o bairro está dizendo onde quer ser atendido.
No Meta: o criativo filtra melhor que o público
No Instagram e no Facebook, o recorte geográfico também existe. Na nossa experiência, porém, o filtro mais confiável no Meta é o próprio anúncio dizer para quem ele é.
Isso significa escrever o bairro no texto e na imagem, mostrar o ambiente real e, quando fizer sentido para o negócio, colocar faixa de preço. Um anúncio que traz o bairro e a faixa de preço escritos afasta sozinho quem não é o público. O clique que sobra custa mais, mas chega mais perto da venda.
Na prática, testamos o mesmo anúncio em duas versões, uma com local e preço e outra sem, e comparamos o custo por conversa que vira orçamento, não o custo por clique. O clique barato da versão sem filtro costuma sair caro duas etapas depois. Expliquei a lógica das duas plataformas em Meta Ads ou Google Ads: qual escolher.
Como medir se o recorte está certo
O painel de anúncios mostra de onde vieram as impressões, mas a prova que importa está no atendimento. Recomendo uma pergunta simples no formulário ou na primeira mensagem do WhatsApp: em que bairro você está?
| Onde medir | O que olhar | Quando agir |
|---|---|---|
| Relatório de locais do Google Ads | Cidades e bairros com gasto e sem conversão | Excluir o local depois de um volume mínimo de cliques |
| Detalhamento por região no Meta | Onde a entrega se concentrou | Se a maior parte saiu da área-alvo, apertar o recorte e o criativo |
| Primeira mensagem do lead | Bairro informado pelo próprio cliente | Se muitos são de fora da área atendida, o problema está na segmentação |
| Orçamentos enviados | Bairro de quem pediu orçamento e de quem fechou | Concentrar verba onde o fechamento acontece |
Uma página feita para a cidade ajuda nos dois lados: melhora a relevância no Google e confirma para o visitante que ele está no lugar certo. Escrevi sobre isso em landing page para negócios locais em Barueri. E o perfil no Google Meu Negócio continua sendo a primeira impressão de quem busca pelo bairro.
Com que frequência revisar o recorte
Recorte geográfico não é configuração que se faz uma vez e esquece. O público muda com a época do ano, com obra na avenida, com concorrente novo no bairro. A rotina que usamos é simples e cabe numa manhã por mês.
Na primeira semana de cada mês, abrimos o relatório de locais das duas plataformas e o cruzamos com a lista de bairros informados pelos leads do mês anterior. Bairro que gastou e não trouxe conversa entra na lista de exclusão; bairro que trouxe conversa e ficou de fora do recorte entra na campanha. A cada trimestre, a lista inteira é refeita do zero, porque a soma de pequenos ajustes costuma deixar o mapa torto sem ninguém perceber.
Esse trabalho é invisível no relatório bonito, e é o que separa uma conta que melhora mês a mês de uma que só gasta.
Passo a passo para configurar a campanha
Se você mesmo cuida da conta, ou quer conferir o que a agência fez, esta é a ordem que seguimos ao montar uma campanha local para a região. Leva menos tempo do que parece; o trabalho maior é decidir.
- Desenhe o mapa do atendimento antes do mapa da campanha. Liste os bairros e residenciais de onde vieram os seus últimos clientes. Se você não tem esse dado, comece a perguntar hoje: é a informação que mais economiza verba no mês seguinte.
- Separe campanhas por área com perfil diferente. Alphaville e Tamboré numa campanha, Osasco em outra, se você atende os dois. A mensagem, o preço que aparece e a foto mudam; o orçamento também.
- No Google, escolha "Presença" nas opções de local e confira de novo depois de salvar. É a configuração que mais se perde quando alguém duplica uma campanha antiga.
- Cadastre as exclusões. Cidades e bairros que você não atende entram como locais excluídos, não só como "não selecionados".
- Escreva o lugar no anúncio. Bairro no título, foto do espaço real, e preço ou faixa quando o seu negócio permitir.
- Marque a conversão certa. A conversa no WhatsApp ou o formulário enviado, nunca a visita à página. A plataforma aprende com o que você manda ela contar.
- Revise na segunda semana. Abra o relatório de locais, cruze com o bairro informado pelos leads e corte o que gastou sem trazer conversa.
Esse roteiro não substitui criativo bom nem atendimento rápido. Ele só garante que o dinheiro está sendo gasto na frente das pessoas certas, que é a condição para o resto funcionar.
O mapa que o Google já usa: o Perfil da Empresa
Antes de qualquer anúncio, existe um recorte geográfico que o Google faz sozinho e de graça: os resultados locais, aquele bloco com mapa que aparece quando alguém pesquisa um serviço com o nome do bairro ou "perto de mim". O Google explica que esses resultados são ordenados por três fatores: relevância, distância e popularidade (Ajuda do Perfil da Empresa no Google).
A distância é a única que você não muda, porque depende de onde a pessoa está quando pesquisa. Por isso, uma empresa em Alphaville aparece com mais facilidade para quem está em Alphaville, e é exatamente o público que a campanha paga deveria procurar. Os outros dois fatores estão nas suas mãos: a relevância vem da categoria certa, da descrição e dos serviços cadastrados; a popularidade vem de avaliações, menções e do quanto a empresa é conhecida.
Isso muda a ordem do trabalho. Antes de pagar para aparecer em Alphaville, vale garantir que o perfil gratuito já aparece para quem procura ali. Os passos estão no guia do Google Meu Negócio, e costumam ser a forma mais barata de ganhar o cliente do bairro.
Quando um raio maior faz sentido
Nem todo negócio deve recortar fino. Há três situações em que o raio maior é a escolha certa.
- O serviço vai até o cliente. Quem faz instalação, manutenção ou atendimento em domicílio atende onde o carro chega, e o recorte acompanha a rota, não o bairro do escritório.
- Delivery. O limite é o raio de entrega, e ele já filtra sozinho. Para restaurante que tem salão e entrega, a divisão da verba entre os dois está em delivery ou salão: onde investir.
- O ticket é alto e o cliente se desloca. Clínicas de procedimento, escolas e serviços muito específicos atraem gente de outras cidades. Aqui o recorte bom é por perfil de interesse e por mensagem, não por proximidade.
Mesmo nesses casos, a regra das exclusões continua valendo: o raio pode ser grande, mas não precisa incluir quem você sabe que não vai atender.
Os erros que mais encontramos
Em conta herdada de empresa da região, estes aparecem com frequência suficiente para virar lista de conferência:
- raio de 15 km ou mais a partir do endereço, sem nenhuma exclusão;
- Google Ads na opção "Presença ou interesse" para serviço que só existe presencialmente;
- anúncio sem bairro, sem preço e sem foto do lugar real;
- relatório que mostra custo por clique e não diz quantas conversas viraram orçamento;
- a mesma campanha para Alphaville e para Osasco, com a mesma mensagem.
Todos se corrigem sem aumentar a verba, com alguém olhando para a conta com o mapa da região na cabeça.
Um cuidado com o recorte
Um cuidado final. Segmentar por região é falar com quem a empresa consegue atender, não fazer julgamento sobre quem mora onde. Uma loja em Carapicuíba deve fazer exatamente o caminho inverso: recortar a própria cidade e falar a língua de quem vive ali. O princípio é o mesmo para qualquer endereço: anúncio local funciona quando o mapa da campanha é igual ao mapa do atendimento.
Se você quer ver o desenho completo, com conteúdo, anúncio e atendimento juntos, ele está em gestão de redes sociais e tráfego pago em Barueri e Alphaville.
Este artigo faz parte da seção Tráfego Pago do blog da QG21 Studio. Ver todas as seções.
Sua campanha está aparecendo para a cidade certa?
Revisamos o recorte de local, as exclusões e o criativo da sua conta e mostramos quanto da verba está indo para fora da área que você atende.