Quase todo relatório de agência mostra custo por clique e custo por lead. São métricas úteis para operar a campanha no dia a dia, mas nenhuma delas responde à única pergunta que interessa ao dono do negócio: quanto custou trazer um cliente que pagou?
Essa é a definição de CAC — custo de aquisição de cliente. E é a métrica que decide se você deve aumentar a verba, mudar a oferta ou parar tudo.
Como calcular o seu CAC
A conta é simples. O que não é simples é ter os números certos para colocar nela.
Se você investiu R$1.500 em mídia, paga R$1.000 de gestão e fechou 25 clientes no mês, seu CAC é R$100. Simples assim. A dificuldade quase sempre está no denominador: saber quantos clientes vieram de fato do anúncio.
- Registre a origem de cada cliente novo, sempre — sem isso não há CAC
- Use link de WhatsApp com mensagem diferente por campanha
- Pergunte "como nos conheceu?" e anote a resposta em algum lugar
- Considere o ciclo: quem viu o anúncio em março pode fechar em maio
CAC sozinho não diz nada
CAC de R$100 é bom ou ruim? Depende inteiramente de quanto o cliente deixa. Um CAC de R$100 é excelente para um serviço de R$3.000 e catastrófico para um produto de R$80.
A leitura correta é sempre comparativa: CAC contra ticket médio e, melhor ainda, contra o valor do cliente ao longo do tempo.
O valor que o cliente deixa no ano
Um salão que capta uma cliente por R$8 e a atende oito vezes no ano tem uma conta completamente diferente de quem olha só o primeiro atendimento. Um restaurante cujo cliente volta a cada 15 dias também. É por isso que negócio recorrente pode pagar mais caro para captar do que negócio de compra única.
Os três erros mais comuns
1. Confundir lead com cliente
Lead é quem mandou mensagem. Cliente é quem pagou. Entre os dois existe o atendimento — e é ali que a maioria dos negócios perde dinheiro sem perceber. Custo por lead de R$5 vira CAC de R$50 se apenas um em cada dez leads fecha.
2. Esquecer o custo da operação
CAC não é só a verba de mídia. Inclui a gestão, a produção de criativo e o tempo de quem atende. Ignorar isso produz um número bonito e falso.
3. Medir em janela curta demais
Serviço de ticket alto tem ciclo de decisão longo. Medir CAC em sete dias num negócio cujo cliente demora um mês para decidir é garantir uma leitura errada — e desligar uma campanha que estava funcionando.
O que fazer com o número
- CAC muito abaixo do ticket — há espaço para aumentar verba e escalar
- CAC próximo do ticket — o negócio depende de recompra para se pagar
- CAC acima do ticket — problema de oferta ou de atendimento, não de campanha
- CAC subindo mês a mês — público saturado ou criativo desgastado
Esse último caso é o mais comum e o mais mal diagnosticado. Quando o CAC sobe sem que nada tenha mudado na campanha, quase sempre é o criativo que cansou. Trocar criativo custa menos que aumentar verba.
Resumindo
- CAC é o custo real de trazer um cliente que pagou, não um lead
- A conta inclui mídia e operação, não só o anúncio
- CAC só faz sentido comparado ao ticket e ao valor do cliente no ano
- Sem registro de origem, não existe CAC — existe estimativa
- CAC subindo geralmente é criativo cansado, não verba insuficiente
Se quiser entender o CAC do seu negócio, é isso que olhamos primeiro no diagnóstico de tráfego pago.
Veja como operamos tráfego para serviços de alto valor — com a estratégia deste artigo aplicada na prática.