Não tenho resposta única para essa pergunta, e desconfio de quem tem. Já vi empresa da região economizar com uma pessoa interna e já vi empresa gastar o dobro tentando fazer uma pessoa só cumprir o papel de cinco. A diferença quase nunca está no salário. Está no que se espera dessa pessoa.
Por isso, a conta abaixo tem duas partes: o custo de ter alguém contratado e o tamanho do trabalho que precisa ser feito.
Quanto ganha um social media com carteira assinada em São Paulo
O dado mais confiável de salário de contratação é o Novo CAGED, do Ministério do Trabalho, que registra as admissões com carteira. Para a ocupação de analista de mídias sociais no estado de São Paulo, com referência de janeiro de 2026 e 951 registros, a mediana de admissão foi de R$ 2.528 e a média de R$ 3.496 (Novo CAGED, compilado pela Numerando).
A distância entre a mediana e a média mostra que existem salários bem mais altos puxando a média para cima. O percentil 75 foi de R$ 4.000 e o percentil 90, de R$ 5.865. Na prática, R$ 2.528 contrata alguém em início de carreira, e alguém que já planeja, escreve e mede bem costuma estar da faixa de R$ 4.000 para cima.
O custo que não aparece no salário
O salário é só a primeira linha da conta. Sobre ele a lei manda pagar, todo ano, o 13º salário (Lei 4.090/1962), férias com um terço a mais (Constituição Federal, art. 7º, XVII) e o FGTS de 8% sobre a remuneração, incluindo 13º e férias (Lei 8.036/1990). Empresas fora do Simples Nacional pagam ainda 20% de contribuição previdenciária patronal sobre a folha (Lei 8.212/1991, art. 22). Empresas do Simples tributadas no Anexo IV também pagam essa contribuição à parte (Lei Complementar 123/2006, art. 18, § 5º-C). Outras contribuições sobre a folha não entram nesta conta.
| Faixa (Novo CAGED, SP, jan/2026) | Salário | Custo mensal no Simples (anexos sem INSS patronal) | Custo mensal com INSS patronal de 20% (fora do Simples ou no Anexo IV) |
|---|---|---|---|
| Mediana | R$ 2.528 | R$ 3.261 | R$ 3.865 |
| Percentil 75 | R$ 4.000 | R$ 5.160 | R$ 6.116 |
| Percentil 90 | R$ 5.865 | R$ 7.566 | R$ 8.967 |
Cálculo: salário × (1 + 1/12 de 13º + 1/9 de férias com um terço) × (1 + 8% de FGTS), e na última coluna × (1 + 28%) no lugar de × 1,08. Não inclui vale-transporte, vale-refeição, plano de saúde, RAT, terceiros, computador, celular nem ferramentas.
Some a isso o que a tabela deixa de fora: computador e celular capazes de editar vídeo, assinaturas de design e agendamento, e o tempo de quem vai treinar e acompanhar essa pessoa. Esse último item é o que mais pesa e o que ninguém coloca na planilha.
O que uma pessoa sozinha não cobre
Uma gestão de redes que gera negócio tem pelo menos seis frentes: estratégia, calendário, design, texto, vídeo e atendimento de mensagens. Se houver anúncio, entra a sétima, o tráfego pago, que é uma especialidade à parte. Descrevi essas peças em o que entra numa gestão completa de redes e tráfego.
É raro encontrar uma pessoa forte em todas. O mais comum é alguém muito bom em uma ou duas, razoável em outras duas e fraco no resto, quase sempre em estratégia e em anúncio. O problema está no tamanho do escopo, e não na pessoa.
Há também o calendário de vida real. Trinta dias de férias por ano são trinta dias sem post, a não ser que alguém cubra. Um atestado de uma semana para a operação inteira. E quando essa pessoa sai, leva junto o conhecimento do que funcionava, porque raramente ficou registrado.
O tempo que o trabalho exige também costuma ser subestimado. Fiz uma estimativa honesta de horas em quanto tempo leva gerir as redes sociais de uma empresa.
E o freelancer PJ?
Existe um terceiro caminho, que muita empresa da região usa: o profissional autônomo, com CNPJ, que emite nota todo mês. Nesse caso não há 13º, férias nem FGTS a provisionar.
O cuidado aqui é jurídico, não de marketing. A CLT define empregado como "toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário" (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 3º). Se o freelancer tem horário fixo, recebe ordens diárias, trabalha só para você e não pode se fazer substituir, a relação pode ser reconhecida como emprego, com todos os encargos retroativos. Antes de escolher esse caminho, vale uma conversa com o seu contador.
Bem usado, o freelancer resolve uma frente específica: o designer que faz as artes, o editor que corta os vídeos. Ele raramente resolve a coordenação, que é justamente a parte que mais falta.
Se a escolha for CLT, contrate assim
Quando a conta aponta para a pessoa interna, a contratação pesa mais que o salário. O que recomendamos aos clientes que seguem esse caminho:
- Peça um teste pago e curto, com o seu negócio: um calendário de uma semana e três peças. O portfólio mostra o que a pessoa fez para outros; o teste mostra como ela trabalha com o seu negócio.
- Defina por escrito o que é dela e o que não é. Anúncio pago, por exemplo, pode ficar fora, e isso deve estar claro desde o primeiro dia.
- Mantenha as contas no nome da empresa: perfil, gerenciador de anúncios, ferramentas de design. Quem sai não leva o acesso junto.
- Peça um registro do que funciona: quais formatos, temas e horários trouxeram resposta. É o que impede a empresa de começar do zero na próxima troca.
- Dê um número para perseguir, ligado a venda: conversas iniciadas, orçamentos pedidos. Número de seguidores não serve como meta.
Quando contratar CLT faz mais sentido
Existem casos em que a pessoa interna ganha com folga:
- a empresa precisa de conteúdo de bastidor todos os dias, gravado no lugar, como em restaurante, academia ou loja com movimento;
- já existe um gestor de marketing interno para dar direção, e falta braço;
- o volume é grande e constante o suficiente para ocupar uma pessoa o mês inteiro;
- o negócio depende de resposta imediata em direct, em horário de loja.
Nesses casos, a contratação interna é a escolha certa, e uma agência pode entrar só na parte que a pessoa não cobre.
Quando terceirizar faz mais sentido
A agência costuma valer mais quando a empresa precisa das sete frentes e não tem quem coordene. Também quando o anúncio é parte central da estratégia, porque tráfego pago exige alguém olhando a conta toda semana e com experiência de muitas contas, não de uma só.
O ponto de atenção é o mesmo que eu levanto em qualquer contratação: saber exatamente o que entra. Agência que entrega "12 posts por mês" está vendendo quantidade de peças. O que você precisa comparar com o custo da pessoa interna é o escopo inteiro, e é por isso que escrevi sobre quanto custa uma agência de marketing digital com a lista do que deve vir junto.
A estrutura que a pessoa interna vai precisar
Quem escolhe contratar precisa montar, junto, o ambiente de trabalho dessa pessoa. Sem isso, o salário vira custo sem entrega. O mínimo que recomendamos:
- Equipamento para vídeo: celular com boa câmera, microfone de lapela e um ponto de luz. Vídeo curto é o formato que mais pede produção, e áudio ruim derruba qualquer roteiro.
- Ferramentas de design, edição e agendamento, em contas da empresa, não pessoais.
- Acesso a quem decide: uma reunião semanal curta com o dono ou o gerente, para aprovar pauta e trazer o que está acontecendo na operação.
- Um roteiro de atendimento para direct e WhatsApp, com as respostas das perguntas mais comuns e o caminho para passar a conversa a quem vende.
- Uma meta ligada a venda, revisada todo mês, como conversas iniciadas e orçamentos pedidos.
Sem esses cinco itens, a comparação com a agência fica injusta para a própria pessoa contratada: ela é cobrada por resultado sem ter recebido as condições para produzir.
O custo que aparece na troca
Existe um custo que não entra em nenhuma planilha de contratação: o da troca. Quando a pessoa interna sai, a empresa perde por algumas semanas a cadência de publicação, o ritmo de resposta e, quase sempre, o conhecimento do que funcionava, porque raramente ficou registrado.
Com agência, o risco existe de outro jeito. Se as contas estão no nome da agência, a troca de fornecedor pode significar perder o histórico de campanhas, os públicos salvos e até o perfil. Por isso, nos dois modelos, a regra é a mesma: toda conta no nome da empresa, todo acesso registrado, e um documento vivo dizendo o que já foi testado. Essas perguntas aparecem também em como escolher uma agência de marketing digital.
Como saber, em 90 dias, se a escolha deu certo
Seja qual for o caminho, defina antes de começar como vai julgar o resultado. Três meses é um prazo justo: o primeiro mês é de construção, o segundo de ajuste e o terceiro já mostra tendência.
- Conversas iniciadas por mês, separadas pela origem: orgânico, anúncio, indicação.
- Quantas conversas viraram orçamento e quantos orçamentos viraram venda.
- Tempo de resposta no direct e no WhatsApp, medido em horário comercial.
- Custo total do modelo, somando pessoa ou agência, ferramentas e mídia, dividido pelas vendas do período.
Esse último número é o que permite comparar os dois caminhos com honestidade. Uma pessoa interna mais barata que gera menos venda pode sair mais cara do que uma agência, e o contrário também acontece. Os indicadores que vale exigir de quem cuida do seu marketing, interno ou externo, estão em como medir o resultado da sua agência, e a conta de retorno da mídia em ROI em tráfego pago.
O modelo misto, que costuma ganhar
Na prática, o arranjo que mais vejo funcionar em empresa da região é o misto. Alguém de dentro, às vezes o próprio dono, grava o bastidor e responde as mensagens no horário comercial. A agência cuida da estratégia, do calendário, da criação, do roteiro dos vídeos e do tráfego.
Na QG21, a gestão de redes já nasce assim: entregamos o roteiro dos Reels para o cliente gravar, porque, na nossa experiência, o rosto de quem atende é o que mais segura atenção em negócio local. A pessoa interna deixa de ser "a social media que faz tudo" e vira a voz da empresa, que é o que ninguém de fora consegue ser.
A divisão que costuma funcionar no modelo misto é esta:
- Fica com a empresa: gravar bastidores e depoimentos, responder direct e WhatsApp no horário comercial, avisar o que está acontecendo na loja ou no escritório, aprovar o calendário.
- Fica com a agência: posicionamento, calendário, design, texto, roteiro dos vídeos, edição, anúncios no Meta e no Google, relatório e reunião mensal.
- Fica com os dois: a leitura do número do mês. A empresa sabe quais conversas viraram venda; a agência sabe de onde cada conversa veio. Só juntando as duas metades dá para saber o que repetir.
Para decidir, faça três contas no papel: quanto custa por mês a pessoa interna na faixa de salário que você conseguiria contratar, quantas das sete frentes ela cobre bem e quanto custaria completar as que faltam. A opção mais barata no papel nem sempre é a que sai mais barata no fim do ano.
Este artigo faz parte da seção Redes Sociais e Conteúdo do blog da QG21 Studio. Ver todas as seções.
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