Comecei a prestar atenção nisso por um motivo prático. Em setembro reestruturamos o site da QG21 inteiro: artigos, páginas de serviço, autoria, a forma de citar fonte. Desde então, pela conta do nosso atendimento, passamos a receber mais de um contato orgânico por dia. Ainda não temos painel para isso, porque o contato que chega direto pelo WhatsApp não fica registrado com a origem. Quando o cliente novo conta como nos achou, a resposta já não é só "pesquisei no Google". Às vezes é "perguntei para o ChatGPT" ou "apareceu naquele resumo do Google".

Isso me fez ir atrás dos números, porque impressão de dono de agência não é dado. Este texto reúne o que encontrei, com a fonte de cada um, e o que eu tiro disso para quem depende de lead que chega pelo site.

As pessoas já buscam mais na IA do que no Google?

Não. O Google continua sendo a porta principal da busca. O que mudou é que o próprio Google virou uma ferramenta de IA. O AI Mode, a versão do buscador que responde em conversa, passou de 1 bilhão de usuários por mês, segundo o CEO da Alphabet na divulgação de resultados de julho de 2026 (Alphabet, resultado do 2º trimestre de 2026).

O ChatGPT cresceu muito, mas numa escala diferente. Em outubro de 2025 a OpenAI anunciou 800 milhões de usuários ativos por semana (Sam Altman no DevDay da OpenAI, em reportagem do TechCrunch). É uma audiência enorme, só que boa parte do uso não é busca de fornecedor: é escrever, estudar, resolver tarefa.

No Brasil, a medição mais séria que encontrei é a do Cetic.br. Na TIC Domicílios 2025, Cetic.br, 32% dos usuários de internet disseram ter usado ferramentas de IA generativa nos três meses anteriores. Na classe A o número sobe para 69%, e entre quem tem ensino superior, para 59%. É a primeira vez que a pesquisa mede isso, e ela pergunta sobre IA em geral, não sobre busca de produto ou serviço.

Esses dois últimos números importam para quem vende serviço de valor alto. O público com mais renda e mais escolaridade, que é o cliente de muitas empresas de Barueri e Alphaville, já usa IA em proporção bem maior que a média.

O que mudou de verdade: o clique

A mudança maior acontece depois que a pessoa recebe a resposta.

O Pew Research Center acompanhou o comportamento real de 900 adultos americanos em março de 2025, em 68.879 buscas no Google. Quando a página trazia um resumo de IA, as pessoas clicaram num resultado tradicional em 8% das visitas. Sem o resumo, o clique foi de 15%. E nos links dentro do próprio resumo, só 1% clicou (Pew Research Center, 2025).

A Ahrefs mediu o mesmo efeito por outro ângulo, com dados de 300 mil palavras-chave. A taxa de clique da página que está em primeiro lugar cai 58% quando aparece um AI Overview acima dela (Ahrefs, fevereiro de 2026). Na décima posição, a queda é de 19,4%.

O que acontece com o clique quando a IA responde primeiro
MediçãoSem resumo de IACom resumo de IAFonte
Visitas com clique em resultado tradicional15%8%Pew Research Center, 2025
Clique em link dentro do resumonão se aplica1%Pew Research Center, 2025
Taxa de clique da posição 1referência58% menorAhrefs, 2026
Taxa de clique da posição 10referência19,4% menorAhrefs, 2026

Traduzindo para o seu negócio: estar em primeiro no Google já não garante o clique. Quando o buscador responde com IA, uma parte das pessoas resolve a dúvida ali mesmo. A outra parte clica em quem a resposta citou.

Por que isso não é o fim do lead orgânico

Muita gente leu esses números como o fim do SEO. Eu leio de outro jeito. Quem é citado na resposta da IA chega ao cliente já com uma recomendação no bolso, e minha hipótese é que o cliente que chega assim vem mais decidido.

Existe um dado, ainda fraco, que aponta nessa direção. A Seer Interactive comparou a conversão do tráfego vindo do ChatGPT com a do Google orgânico num cliente dela, entre outubro de 2024 e abril de 2025. O tráfego do ChatGPT converteu 15,9%, contra 1,76% do Google orgânico (Seer Interactive, junho de 2025). Os próprios autores avisam que é o dado de um único cliente, com pouco mais de 11 mil sessões vindas de IA. Uso aqui só como sinal.

No nosso caso, a percepção é parecida. Depois da reestruturação, o contato orgânico ficou mais frequente, e a conversa costuma começar num ponto mais adiantado: a pessoa já leu, já comparou e já sabe o que quer perguntar. Não tenho esse número separado por origem, e é uma das coisas que estamos organizando para medir melhor.

O que o Google diz que conta para aparecer na resposta de IA

Aqui vale ler a fonte oficial, porque circula muito mito. A documentação do Google para criadores de site é direta: não existem requisitos adicionais para aparecer nos AI Overviews ou no AI Mode, nem otimizações especiais necessárias. A página precisa estar indexada e apta a aparecer na busca com trecho de texto (Google Search Central, "AI features and your website").

A mesma página diz que não há dado estruturado especial de schema.org para IA. O que existe são as regras de sempre: marcar só o que está visível para o leitor, e o dado estruturado precisa representar de verdade o conteúdo da página (políticas de dados estruturados do Google).

E o critério de fundo continua sendo o de conteúdo útil. O Google resume em experiência, especialidade, autoridade e confiabilidade, e diz com todas as letras que, desses quatro, a confiança é o mais importante (Google Search Central, guia de conteúdo útil).

Ou seja: o que faz um site aparecer na resposta de IA do Google é, em grande parte, o que já fazia ele aparecer bem na busca, só que levado mais a sério. Conteúdo raso, sem autor e sem fonte perde dos dois jeitos.

E fora do Google: ChatGPT e os outros

No ChatGPT, existe uma regra técnica que muita empresa desconhece. A OpenAI usa um robô chamado OAI-SearchBot para encontrar os sites que aparecem nas respostas de busca do ChatGPT, e sites que bloqueiam esse robô não aparecem nessas respostas (documentação de robôs da OpenAI). Bloquear o GPTBot, outro robô da empresa, só impede o uso do conteúdo para treinar modelos.

Na prática, vale abrir o arquivo robots.txt do seu site e conferir se alguém bloqueou tudo "por segurança". Já vimos isso acontecer em site feito por terceiros.

Sobre o que faz um texto ser citado por esses motores, a pesquisa acadêmica mais citada é o artigo GEO: Generative Engine Optimization, Aggarwal e outros, KDD 2024. Os autores testaram mudanças de redação em milhares de consultas e mostraram que é possível aumentar a visibilidade de uma fonte em até 40% nas respostas geradas. As técnicas que mais funcionaram foram citar fontes, acrescentar estatísticas e incluir citações de especialistas. Encher o texto de palavra-chave teve efeito contrário.

Como saber se a IA já está mandando gente para o seu site

Antes de mudar qualquer coisa, vale medir onde você está.

Comece pelo Search Console. O Google informa que o tráfego vindo dos recursos de IA, como os AI Overviews e o AI Mode, entra no relatório de desempenho junto com a busca comum, no tipo de pesquisa "Web" (Google Search Central, "AI features and your website"). Ele não aparece separado, então o que dá para acompanhar é a tendência: impressões subindo e cliques caindo na mesma consulta costumam ser o sinal de que uma resposta de IA passou a aparecer acima de você.

Depois, a ferramenta de análise do site. Visitas vindas de chatgpt.com, perplexity.ai ou gemini.google.com aparecem como tráfego de referência. O volume costuma ser pequeno perto do Google, e é por isso que ele precisa ser olhado separado, com a taxa de conversão ao lado.

E há o recurso mais simples e mais esquecido: perguntar. "Como você chegou até nós?" na primeira mensagem do WhatsApp, com a resposta anotada. É o que nos falta hoje para transformar o "mais de um contato por dia" em número com origem, e é a primeira coisa que recomendo a qualquer cliente.

E o negócio local, onde entra nisso?

Para comércio e serviço de bairro, no Google o mapa e a resposta de IA partem do mesmo ponto: o Perfil da Empresa. O Google explica que os resultados locais são ordenados por relevância, distância e popularidade (Ajuda do Perfil da Empresa no Google). Um perfil com categoria certa, horário atualizado, fotos reais e avaliações respondidas é o que o buscador tem de mais direto sobre o seu negócio quando alguém pergunta por um serviço perto de casa.

Em outras palavras, a primeira providência de um negócio local para aparecer na IA não tem nada de tecnologia nova. É cuidar bem do que já existe e responder, no site, as perguntas que o cliente faz antes de comprar.

O que eu faria hoje se o site fosse seu

Não precisa reconstruir tudo de uma vez. A ordem que seguimos, do mais barato para o mais trabalhoso:

  1. Confira se o site pode ser lido. Indexação no Search Console e o robots.txt sem bloquear os robôs de busca, inclusive o OAI-SearchBot.
  2. Dê nome e rosto ao autor. Quem escreve, qual a experiência, e uma página sobre essa pessoa. Confiança começa em saber quem está falando.
  3. Responda a pergunta do jeito que ela é feita. Uma página por dúvida real do cliente, com a resposta no primeiro parágrafo.
  4. Coloque número com fonte. Cada afirmação importante com dado, ano e link para quem mediu.
  5. Escreva o que só você sabe. Caso real, conta real, experiência de quem faz. É o que ninguém consegue copiar e o que a IA não tem de onde tirar.
  6. Ligue as páginas entre si. Link no meio do texto, levando para o assunto vizinho. Ajuda o leitor e ajuda quem lê o site por máquina a entender do que você é especialista.

Contei o que fizemos no nosso próprio site, passo a passo, em site para ser citado pela IA: o que mudamos na QG21. E se o seu negócio é local, o perfil no Google Meu Negócio continua sendo a informação mais direta que o Google tem sobre você.

O que este texto não afirma

Nenhuma fonte séria diz hoje que a busca por IA substituiu o Google, e eu também não digo. Também não existe garantia de que um site vá ser citado pela IA: os próprios buscadores não publicam essa regra, e quem prometer posição na resposta do ChatGPT está prometendo o que não controla.

O que dá para fazer é aumentar a chance com trabalho verificável: site legível, autor identificado, conteúdo útil com fonte e experiência própria. Foi o que fizemos em casa antes de oferecer para cliente. Se quiser entender como isso se encaixa na estratégia inteira, com redes e anúncios, está em gestão de redes sociais e tráfego pago em Barueri e Alphaville, e para empresa pequena começando do zero, em SEO para pequenas empresas.

Este artigo faz parte da seção SEO e Presença Local do blog da QG21 Studio. Ver todas as seções.

Lucas Oliveira, sócio-fundador da QG21 Studio
Lucas Oliveira

Sócio-fundador da QG21 Studio. Técnico em projetos metalúrgicos e tecnólogo em processos, com 18 anos de indústria — metade deles liderando produção e manutenção. Trouxe do chão de fábrica a ideia de que resultado vem de processo desenhado, não de esforço solto. É por isso que aqui não existe tabela de preço. Conheça o trabalho →

O seu site aparece quando a IA responde sobre o seu serviço?

Fazemos o teste nas buscas que o seu cliente faz, no Google e no ChatGPT, e mostramos o que falta no site para ele ser a fonte citada.