Antes da mudança, o blog da QG21 tinha 54 artigos e eu achava que estava bem servido. Quando sentamos para auditar um por um, em 12 de setembro, o retrato foi outro: a mediana era de 921 palavras, só 4 artigos tinham alguma tabela e pouco mais da metade, 29 de 54, citava fonte com link. Era texto que qualquer agência escreveria, e que nenhuma IA teria motivo para citar.

O que segue é o que mudamos, na ordem em que mudamos, e o porquê de cada passo. Tudo vem do que a documentação do Google e a pesquisa acadêmica sobre motores de IA apontam, aplicado num site de verdade, o nosso.

O resultado, antes do método

Desde a reestruturação, que terminou em meados de setembro de 2026, passamos a receber mais de um contato orgânico por dia. Orgânico aqui quer dizer sem anúncio: a pessoa achou o site numa busca, numa resposta de IA ou num artigo, e chamou.

Sou honesto sobre o limite desse número. Ele vem do nosso atendimento, não de um painel que separa cada contato pela origem, e nesse período outras coisas também mudaram na empresa. Organizar essa medição é o próximo passo. Mas a virada coincidiu com a mudança do site, e foi forte o suficiente para virar este texto.

O motivo de achar que a estrutura importa está nos dados públicos. Quando o Google mostra um resumo de IA, o clique em resultado tradicional cai de 15% para 8% das visitas, segundo o Pew Research Center, 2025. Quem não é citado na resposta perde o clique mesmo estando bem posicionado. Expliquei esse cenário em busca em IA ou Google: onde o seu cliente procura.

1. Autor de verdade em cada página

O primeiro passo foi o mais simples e o que mais faltava. Todo artigo passou a ter uma caixa de autor com nome, foto, trajetória e link para uma página sobre mim, e o mesmo dado em formato que a máquina lê, o schema Person. Antes, só 26 dos 54 artigos tinham caixa de autor e 21 tinham o schema.

O porquê está no próprio Google: dos quatro pilares que ele usa para avaliar conteúdo, experiência, especialidade, autoridade e confiança, a confiança é o mais importante (Google Search Central, guia de conteúdo útil). E não dá para confiar em quem não tem nome.

No meu caso, a trajetória conta: 18 anos de indústria, quase dez como comprador técnico, antes de fundar a agência. Isso aparece em todos os textos, porque é a experiência que explica o ponto de vista. Se o seu site tem textos assinados por "Equipe", esse é o primeiro conserto.

2. Número com fonte, e fonte com link

A segunda mudança foi uma régua: nenhum número entra num texto sem fonte, ano e link para quem mediu, e o link tem que ter sido aberto por quem escreveu. Frase genérica que atribui o número a ninguém, do tipo que cita "estudos" sem dizer quais, passou a reprovar o artigo automaticamente.

Isso tem base na pesquisa sobre motores de IA. O artigo GEO: Generative Engine Optimization, Aggarwal e outros, KDD 2024 testou mudanças de redação e encontrou ganho de visibilidade de até 40% nas respostas geradas. As técnicas que mais funcionaram foram justamente citar fontes, acrescentar estatísticas e incluir citações. Encher o texto de palavra-chave piorou o resultado.

Há um efeito colateral que eu não esperava: escrever com fonte obriga a pesquisar antes de escrever. O texto fica mais curto em opinião e mais longo em fato, que é o que o leitor e a máquina procuram.

3. Tabela, porque é o bloco que se recorta inteiro

Passamos a exigir pelo menos uma tabela por artigo. Uma resposta de IA costuma montar o que diz a partir de pedaços de páginas diferentes, e um dado organizado em linha e coluna sobrevive fora do texto: quem recorta leva o número, o contexto e a fonte juntos.

A mesma lógica vale para o parágrafo. Reescrevemos frases que só faziam sentido lendo a anterior, do tipo "como vimos acima", para que cada afirmação importante se sustente sozinha.

O que mudou no blog da QG21 na reestruturação de setembro de 2026
ItemAntes (auditoria de 12/09)Regra depois da mudança
Caixa de autor26 de 54 artigosTodos, com página do autor
Schema Person do autor21 de 54Todos
Tabela no artigo4 de 54Pelo menos 1 por artigo
Link de fonte externa29 de 54Pelo menos 1, de URL aberta
Links internos no corpo24 de 54 com 2 ou maisPelo menos 2, com texto que descreve o destino
Tamanhomediana de 921 palavras1.500 palavras ou mais
Organizaçãolista única de artigos6 páginas mestre por assunto

Fonte: auditoria interna do blog da QG21, 12 de setembro de 2026, feita com o conferidor automático que hoje barra a publicação de artigo fora do padrão.

4. Links no meio do texto, e páginas por assunto

Este foi o defeito mais vergonhoso que encontramos. Os links internos existiam, mas ficavam num bloco lateral, e no corpo do texto eles tinham a mesma cor das letras, sem sublinhado. Para o leitor eram invisíveis, e para a máquina eram navegação, não referência.

Corrigimos as duas coisas. O link passou a aparecer no meio da frase, com um texto que diz para onde ele leva, e ficou visível. E o blog ganhou seis páginas mestre, uma por assunto: tráfego pago, redes sociais e conteúdo, SEO e presença local, estratégia e métricas, conversão e lançamento, e marketing para indústria. Cada artigo aponta para a sua página mestre, e ela aponta de volta.

O efeito é que o site passa a dizer, pela própria estrutura, do que a empresa entende. Um robô que lê a página de tráfego pago encontra ali todos os textos sobre o tema, ligados entre si, assinados pela mesma pessoa.

5. O básico técnico que ninguém vê

Algumas mudanças não aparecem para o visitante, mas pesam para quem lê o site por máquina:

  • Títulos e descrições no tamanho que o buscador mostra. Ajustamos 18 títulos para até 60 caracteres e as descrições para a faixa de 120 a 160.
  • Acessibilidade. A nota de acessibilidade da auditoria automática do navegador na página inicial subiu de 92 para 100. Site que funciona para leitor de tela é site mais fácil de interpretar.
  • Dados estruturados honestos. Marcamos autor, artigo e trilha de navegação, só com o que está visível na página, que é a regra do Google (políticas de dados estruturados do Google). Não existe marcação especial para IA, segundo o próprio Google (Google Search Central, "AI features and your website").
  • Robôs liberados. Conferimos que o site não bloqueia os robôs de busca. No ChatGPT, quem bloqueia o OAI-SearchBot não aparece nas respostas de busca (documentação de robôs da OpenAI).
  • Um resumo da empresa em texto simples. Publicamos um arquivo llms.txt com quem somos, onde estamos e o que fazemos. É uma proposta aberta da comunidade (llmstxt.org), não um requisito de Google ou OpenAI, e não tenho medição de que ele ajude. Custou pouco e organiza a informação.

6. Caso real com número, e o nome só quando autorizado

A última camada é a que nenhum concorrente consegue copiar: o que acontece dentro da operação. Passamos a publicar casos com número aberto, como o de um lançamento de agosto de 2024 em que R$ 4.200 de mídia geraram R$ 62.000 de faturamento em uma semana, contado em como fazer um lançamento digital, ou o de uma indústria que, em nove meses, fechou um contrato de quase R$ 2 milhões, contado em indústria de precisão pede marketing de precisão.

Um cuidado que aprendemos no caminho: case bom vem com a conta inteira e com as ressalvas. No caso da indústria, publicamos o que foi investido linha por linha, a gestão e a verba de mídia, e escrevemos com todas as letras que aquilo é um caso, não uma média, e não é promessa. Isso custa um pouco do brilho do número e compra algo mais valioso: credibilidade com quem lê e com quem avalia a fonte.

A regra que seguimos é divulgar o número e preservar o nome do cliente quando ele não autorizou. É experiência própria, com conta, e é exatamente o tipo de informação que um resumo de IA não tem de onde tirar a não ser da fonte original.

O que ainda falta, e o que eu faria diferente

Ainda há pendências que eu mesmo cobro da equipe. A mais importante é a medição por origem: hoje o contato que chega pelo WhatsApp direto não fica registrado com a página de onde veio, e por isso o número de lead orgânico vem do atendimento, não de um painel. O acervo antigo também não está todo no padrão novo, porque a régua vale para o que é publicado agora e os textos antigos estão sendo refeitos aos poucos. E falta o hábito de abrir o Search Console toda semana, que é onde o Google mostra o tráfego vindo das respostas de IA (Google Search Central, "AI features and your website").

Se fosse começar de novo, faria a autoria e a régua de fonte antes de qualquer outra coisa. São as duas mudanças mais baratas e as que mais mudam a qualidade do que vai ao ar.

O que um negócio da região pode copiar na primeira semana

Nada do que fizemos exige equipe grande. Se a sua empresa fica em Barueri, Alphaville, Osasco ou Jandira e tem um site parado, esta é a ordem que eu seguiria em cinco dias de trabalho, sem contratar ninguém.

  1. Dia 1: o Perfil da Empresa no Google. Categoria certa, horário real, fotos do lugar, serviços listados e todas as avaliações respondidas. O Google ordena o resultado local por relevância, distância e popularidade (Ajuda do Perfil da Empresa no Google), e essa é a parte que você controla.
  2. Dia 2: o autor. Uma página "quem somos" com nome, foto e experiência de quem responde pelo trabalho, e esse nome aparecendo nos textos do site.
  3. Dia 3: as cinco perguntas. Liste as cinco perguntas que todo cliente faz antes de comprar e responda cada uma numa página, com a resposta no primeiro parágrafo.
  4. Dia 4: os números. Coloque em cada página um dado concreto, com a fonte: prazo, preço de referência, garantia, um resultado autorizado.
  5. Dia 5: a medição. Search Console conectado, robots.txt sem bloquear os robôs de busca e a pergunta "como você nos encontrou?" na primeira mensagem do WhatsApp.

É pouco perto do que fizemos no nosso site, mas cobre o essencial: ser encontrável, mostrar quem responde, responder o que o cliente pergunta e saber de onde ele veio. O resto se constrói por cima, um artigo por semana, sempre respondendo uma pergunta real de quem compra de você.

Para quem quer aplicar no próprio negócio, o caminho é o mesmo em qualquer tamanho de empresa. Uma página bem feita para a sua cidade já segue boa parte dessa régua, e a decisão sobre onde investir primeiro, se em site, anúncio ou redes, está em gestão de redes sociais e tráfego pago em Barueri e Alphaville.

Este artigo faz parte da seção SEO e Presença Local do blog da QG21 Studio. Ver todas as seções.

Lucas Oliveira, sócio-fundador da QG21 Studio
Lucas Oliveira

Sócio-fundador da QG21 Studio. Técnico em projetos metalúrgicos e tecnólogo em processos, com 18 anos de indústria — metade deles liderando produção e manutenção. Trouxe do chão de fábrica a ideia de que resultado vem de processo desenhado, não de esforço solto. É por isso que aqui não existe tabela de preço. Conheça o trabalho →

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